Qual música toca na sala de espera?

Independente de qual música seja, ela não está lá para acalmar ninguém. De modo muito sutil, a música que toca na sala de espera também faz parte da experiência. Mas não está lá para disputar a atenção de quem chega.

A playlist da sala de espera não é para relaxamento. O violão do Baden Powell vem antes da psicodelia instrumental de Connan Mockasin. O impressionismo clássico de Debussy cruza com o afrobeat do Kokoroko, e tudo bem. Não há um gênero. A curadoria é feita e deixo elas tocando em ordem aleatória. O que seleciono é a maneira que o som ocupa o ambiente.

Todas tem algo em comum: nenhuma pede a atenção… Todas elas garantem a distração, o pensamento, o silêncio. Pode olhar para o teto e esperar sem pressa. Parece pouco, né? Hoje é quase um luxo.

A sessão não começa na sala de espera, mas num mundo de notificações, telas e algoritmos, a seleção abre espaço para que algo possa acontecer. Apenas existir.

Há uns encontros um tanto improváveis: o som Fela Kuti, passando por Berimbau depois de Gymnopedie Nº1. São 8 anos selecionando músicas que acabam sendo muito diferentes entre si, mas semelhantes por transmitem zero urgência, muitos respiros, improvisos, imperfeição…

Parece não fazer sentido. Apenas parece, porque não foram selecionadas por gênero mas pela sensação que emitem. Certa vez me perguntaram que “playlist é essa que toca na sala de espera?“, na época escrevi no rascunho de notas: Músicas que sabem esperar.

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